NOTHING ELSE MATTERS
forever trusting who we are and nothing else matters
Já fora da
joalheria Eithan ainda segurava o anel entre os dedos, erguendo-o ligeiramente
a altura dos olhos para observar a luz através dele. Queria algo simples, que
não ostentasse poder ou dinheiro, algo delicado que transmitisse apenas a ideia
frágil que a beleza é, mas sentia-se frustrado observando o diâmetro
relativamente caro do diamante rosa, coroado por outros pequenos diamantes
brancos.
- Acho que
exagerei, Sebastian.
- Ela irá
gostar de qualquer coisa que coloque em seu dedo, my Lord, pode ser até de
papel. Vindo do meu mestre, ela irá gostar.
Eithan abriu
um sorriso torto, aprovando o comentário do mordomo enquanto guardava a jóia em
sua caixinha de veludo vermelho, que entregou para Sebastian proteger. Olhou o
relógio e caminhou por entre as lojas, sem se interessar por absolutamente
nada. Buscava uma cabeça ruiva em uma massa de pessoas mais altas que ele, e se
queixou por isso. Mas avistou Sofia sentada em um banco, abrigando-se da chuva
suave que cobria toda Londres como uma cortina opaca e interminável. E naquele
momento pensou que todos naquela maldita cidade encontravam-se escondidos
dentro do mercado coberto. Abriu caminho até ela, ou melhor, Sebastian o fez,
gentilmente abrindo espaço entre as pessoas que se aglomeravam no caminho.
- Sofia,
tenho um presente para você.
Eithan só
percebeu seu erro no pigarro irritante de Sebastian. Mas já havia pronunciado a
frase em alto e bom som, e não pode deixar de observar a curiosidade e a
confusão se formarem no rosto delicado de Sofia. E quem realmente se importa?
Nunca fui de prolongar suas conversas com tediosas saudações e cordialidades, e
descobriu em Sofia uma companheira para suas opiniões pouco tradicionalistas.
Este além de outros foi um dos motivos para acelerar o noivado. Seu compromisso
era apenas familiar, algo prometido por pessoas que não mais estavam vivas para
garantir que suas promessas seriam, invariavelmente, cumpridas.
- Venha. –
Estendeu a mão para que ela, e sem soltar a conduziu para um lugar mais calmo,
onde suas palavras não fossem tão bem ouvidas. E que criança idiota ele era,
pensou. Como pode pensar que uma feira seria um bom lugar para um pedido de
casamento?
Sebastian
discretamente escondeu a caixinha em um dos seus bolsos antes de se afastar,
mas sempre mantendo seus olhos no jovem casal. Era sua obrigação, afinal.
Eithan
retirou a caixa vermelha do bolso e abriu, tirando o anel rosado - que tanto o
havia encantado -, e sem dizer uma única palavra o colocou no dedo de Sofia,
apreciando como a beleza do anel havia se encontrado com a dela. Sabia que não
precisava dizer absolutamente nada, e aproximando-se dela, segurou seu rosto e
beijou ambas as faces. Algo tolo a se fazer, mas nunca havia tido a coragem
para beijá-la. A verdade é que sua admiração pela prima limitava-se em apenas
observá-la, mas sabia que teria de mudar sua postura em relação a isso daquele
dia em diante.