the poet and the muse
the poet came down to the lake, to call out to his dear. and only his own echowould wail back at his call




 A água parecia incrivelmente perturbada, apesar da ausência de vento. Rowan a olhava como se cada uma das pequenas ondas falasse com ela, cantando uma música diferente a cada vez que batiam nas pedras na margem do lago. Sentia uma certa sincronia com ele, como lago, e perturbadoramente isso lhe era aconchegante. Como encontrar a única pessoa que entende você, que fala com você usando as palavras que quer ouvir, e o lago negro falava com ela em notas claras de respingos frios.

Havia chovido aquela manhã, e o frio havia congelado a grama, e naquele ponto onde o sol não chegava ainda havia branco por todo o lado, uma fina camada de gelo que Rowan deixava descongelar na palma na sua mão, arrancando mais e mais folinhas sem nem mesmo perceber as pontas roxas dos seus dedos. Mas nem sequer sentia o frio. Seu casaco estava no chão e ela sentada sobre ele. O vestido vermelho lhe cobrindo as pernas, oferecendo algum calor, mas seus ombros estavam completamente expostos. Ela não queria sentir o calor. Não queria sentir nada, especialmente aquela angustia que vem martelando-a por semanas, noite e dia.
 Por dias ela sonhava com o irmão, ou pelo menos acreditava ser ele. Uma criança de cabelos ruivos tal qual o seu, mas com uma tonalidade mais vibrante, como se irradiasse sua própria luz, seu próprio calor. E ele apenas sorria, parecendo apenas esperar por ela, e isso era o que mais a incomodava, a ausência de gestos. Ausência de tudo se não aquela longa espera.
 Rowan olhava para o lago enquanto pensava nisso. Estava completamente absorvida em seus pensamentos que não podia mais distinguir o que era o mundo a sua volta e o mundo caótico da sua mente perturbada. Por isso não sentia frio. Seu corpo era meramente um suporte, algo a parte que não fazia parte dela absolutamente, apenas a sustentava de uma forma alheia, quase apática, mas obediente.

 Ordenou a seu corpo que ficasse em pé, e aos poucos foi ficando mais alta. Ordenou a seu corpo que andasse, e aos poucos seus pés estavam mergulhados na água.
Em sua inconsciência ela sonhava de olhos abertos, e não podia dizer se era sonho, mas acreditava que sim pela falta de sentido de tudo - os sonhos não tem sentido, afinal. Rowan olhava para a superfície ondulada do lago, apesar de não estar parado ela via através da sua turvez, como se fosse cristalina, a água. E lá no fundo o menino de cabelos vermelhos, sorrindo para ela, a mão estendida, chamando-a. Pela primeira vez a chamava. Pronunciando seu nome sem abrir os lábios, e mesmo assim sua voz ecoava, levada em ondas até Rowan. A água já batia em sua cintura. Sua mão estendida para tocar aqueles pequenos dedinhos brancos que pareciam tão finos e frágeis que sentiu pena, sentiu vontade de tocá-los e levar até seus lábios para aquecê-los com um beijo.
 Mas foi obrigada a desistir dele, da sua figura que parecia se apagar aos poucos, sendo engolido pela água. Mas quem estava sendo engolida era ela. No plano real do qual estava completamente alheia, havia pisado em uma pedra, se desequilibrado a fundando na água. Quando voltou a tona estava completamente consciente, e agora o frio lhe penetrava como facas por todo o corpo, rasgando sua pele imperdoável. Soltou um grito alto e agudo em resposta ao seu desespero. Arrastava-se de volta para a margem, mas seu vestido pesado pela água mantinha lenta a sua marcha. Uma mancha vermelha em meio ao nada.
  Não havia perigo em se afogar ali, a água nem sequer batia em seu peito - apenas o frio era cortante - mas havia terror em seus olhos. Terror por não saber o que aconteceu exatamente. Como parara no meio das águas escuras do lago negro? Terror de suas visões atormentadoras. Terror porque queria vê-lo novamente, o menino. Queria poder chegar até ele. Lhe dar a mão. Mas a água em seu nariz lhe dizia que era impossível.





and when he swore to bring back his love, by the stories hed create, 
nightmares shifted endlesslyin the darkness of the lake.




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